De 10 perguntas para 50: o que mudou na conversão da carteira

De 10 perguntas para 50. E agora você só pode errar 5. A prova da conversão da carteira mudou em outubro de 2025, e quase ninguém no genba ficou sabendo.
De 10 perguntas para 50. E agora você só pode errar 5.
A prova da conversão da carteira mudou em outubro de 2025, e quase ninguém no genba ficou sabendo.
O que mudou, em três linhas
Desde outubro de 2025, quem troca a carteira estrangeira pela japonesa (gaimen kirikae) enfrenta outra prova.
A parte escrita era de 10 perguntas. Passou para 50, e o corte é 90%. 50 × 0,9 = 45: você precisa de 45 acertos. Errou 6, acabou o dia. Antes dava para errar algumas e sair de lá com a carteira; agora a margem é de cinco erros no total.
O exame prático também ficou mais rígido. O que muita gente conseguia levar no jeito, hoje é cobrado.
E entrou uma exigência de documento: juminhyo (registro de residência na prefeitura). Sem estar registrado como morador, não dá para fazer a conversão.
Quem pode respirar, e quem precisa olhar isso hoje
Se você mora em Toyota há anos, tem zairyu card em dia e está registrado na prefeitura, o juminhyo você já tem. Essa parte não é o seu problema.
O problema aparece em situações que são comuns entre nós:
Quem mudou de apartamento e não avisou a prefeitura. Muita gente muda de casa quando muda de serviço, para ficar perto da fábrica nova, e o registro fica no endereço velho. Na hora de juntar os papéis, o endereço do juminhyo não bate com o do zairyu card, e o balcão devolve tudo.
Quem tem o nome escrito de um jeito no zairyu card e de outro na carteira brasileira. Nome de casada, nome do meio abreviado, acento que sumiu. É o tipo de coisa que ninguém repara até o dia do balcão.
Quem tinha na cabeça o plano de trazer alguém do Brasil de visita e resolver a carteira aqui. Esse caminho fechou.
A conta que ninguém faz antes de marcar
Em Aichi a conversão é feita em dois lugares, os dois só em dia útil e os dois com hora marcada:
• o centro de exames de Hirabari — Aichi-ken Unten Menkyo Shikenjou, em Nagoya, no bairro de Tenpaku;
• o Centro de Habilitação de Higashi-Mikawa — Higashi-Mikawa Unten Menkyo Center, em Toyokawa, no bairro de Kanaya-nishimachi.
Para quem mora em Toyota, Hirabari costuma ser o mais perto, mas vale olhar os dois: às vezes a data que sobra em um está a meses de distância no outro. Sábado não existe em nenhum dos dois.
Ou seja: cada ida é um dia de trabalho que não entra no holerite.
Faça a conta com o seu número. Com jikyu (valor da hora) de 1.500 e turno de 8 horas:
1.500 × 8 = 12.000 ienes por dia.
Com jikyu de 1.600:
1.600 × 8 = 12.800 ienes por dia.
Agora multiplique pelo número de idas. Não é uma. É a ida dos documentos e da prova escrita, a ida do exame prático, e mais uma para cada vez que o prático não passar.
Três idas, com jikyu de 1.600: 12.800 × 3 = 38.400 ienes que saíram do seu mês.
Some ainda o combustível ou o trem, o estacionamento, as taxas do balcão, e o dia que você vai gastar só para marcar e organizar papel.
E tem o custo que não aparece em iene: com hora marcada, a data seguinte é a que tiver vaga, não a que você quer. Se reprovar, o intervalo até a próxima chance não depende de você.
Por isso o exame prático é onde dói mais
A prova escrita você refaz estudando. O prático é diferente: ele cobra o dia inteiro de quem chega mal.
Quem faz kotai sabe do que estou falando. Sair do yakin às seis da manhã, ir direto para Nagoya e sentar no banco do carro de exame sem ter dormido não é economia de dia; é gastar um dia para reprovar.
No vestiário, trocando de roupa depois do turno, um homem que já tinha reprovado duas vezes no prático contou como foram as duas: as duas vezes ele foi direto do turno, sem dormir, para não perder o dia. Perdeu os dois dias mesmo assim, e mais o terceiro, que foi o que deu certo depois de uma noite de sono.
Sai mais barato marcar a data com folga antes e dormir.
O yukyu existe para isso
Muita gente pede o dia como falta e perde o dia inteiro de salário sem precisar.
A regra é essa: quem completa 6 meses na mesma empresa, com presença de pelo menos 80% dos dias previstos, tem direito a 10 dias de yukyu (folga remunerada). Depois vai subindo: 1 ano e 6 meses, 11 dias; 2 anos e 6 meses, 12 dias; 3 anos e 6 meses, 14 dias. Isso vale para haken também, contado pelo tempo na empresa que te contratou, não pela fábrica onde você está.
Uma exceção que pega bastante gente aqui: quem trabalha 4 dias ou menos por semana E menos de 30 horas por semana não recebe esses 10 dias. Recebe uma quantidade proporcional, menor, que sobe pela mesma tabela de tempo de casa. Quem faz jornada cheia no genba está na regra dos 10.
Yukyu tem prazo de 2 anos. O que você não usar em dois anos desaparece.
Usar um dia de yukyu para ir ao exame cobre quase todo esse prejuízo. "Quase" porque o valor de um dia de yukyu nem sempre é igual ao que você ganharia trabalhando. A lei permite três formas de calcular esse valor, e elas não são decididas do mesmo jeito. Duas delas — o salário normal daquele dia e uma média dos meses anteriores — a empresa define sozinha, no regulamento interno (shugyou kisoku). A terceira, que é 1/30 do valor de referência do seu shakai hoken, a empresa não pode adotar por conta própria: só vale se houver acordo por escrito com o sindicato ou, não havendo sindicato, com quem representa a maioria dos trabalhadores. Vale olhar qual dos três é o seu — a diferença entre eles costuma ser pequena, e em qualquer um dos casos é muito melhor do que faltar.
A empresa pode pedir para trocar a data se aquele dia atrapalhar demais o serviço, mas o direito ao dia é seu.
Sobre yukyu para quem é haken, tem um texto explicando com calma aqui:
b-staff.jp/pt/guide/yukyu-haken →
O que dá para adiantar sem sair de casa
Confira a validade da sua carteira brasileira antes de marcar qualquer coisa. Carteira vencida não serve para a conversão: uma das condições do exame é que a carteira esteja válida no país que a emitiu. Se a sua já venceu, o caminho é renovar no Brasil primeiro — a renovação pede exame médico presencial e não dá para resolver daqui. É a coisa mais fácil de olhar, e a que derruba o dia inteiro.
Confira também se o endereço do juminhyo é mesmo onde você mora hoje. Quem se mudou dentro da própria cidade às vezes acha que está tudo certo e não está.
E, na hora de marcar, pergunte no balcão em que idioma a prova pode ser feita no seu caso, em vez de descobrir isso sentado na sala.
Uma coisa que eu não esperava
Uma mulher que está aqui há doze anos perguntou se ainda valia a pena tentar, ou se agora era melhor pagar escola de condução. É uma pergunta justa: 50 perguntas com 90% de corte assusta.
Só que a escola custa muito mais do que alguns dias de yukyu, e a prova de 50 perguntas continua sendo sobre as mesmas regras de trânsito de sempre. O que mudou não foi o conteúdo. Foi a margem de erro.
Quem estuda uma semana com calma passa. Quem vai no improviso, como muita gente passava antes, agora volta.
Por que empurrar para o ano que vem sai mais caro
Ninguém acorda com vontade de gastar um dia útil em Nagoya. Dá para adiar. Só que adiar tem preço.
A mudança de outubro de 2025 foi de aperto, não de folga. Nada indica que a prova volte a ter 10 perguntas.
Com hora marcada, o calendário não é seu. Quem decide em cima da hora pega a vaga que sobrou, e às vezes essa vaga cai justo na semana em que a linha está cheia e pedir folga é mais difícil.
E tem o efeito silencioso: enquanto a carteira não sai, você fica dependendo de carona, de horário dos outros e de quem pode te levar. Isso limita que serviço você consegue aceitar, em que horário, e a que distância de casa. É um custo que não aparece em nenhum papel, mas aparece no seu salário no fim do ano.
Onde confirmar antes de gastar o dia
Os dois lugares que fazem a conversão em Aichi são também quem confirma a lista de documentos e abre as vagas: o centro de exames de Hirabari, em Nagoya (Tenpaku), e o Centro de Habilitação de Higashi-Mikawa, em Toyokawa. A marcação é feita com eles, e a lista de documentos muda conforme o país da carteira — vale confirmar por telefone antes de tirar o dia, não depois.
Leve tudo junto na primeira ida: carteira brasileira, tradução, passaporte com os carimbos, zairyu card e o juminhyo tirado na prefeitura. Papel faltando é a causa mais comum de uma ida virar duas.
A Bridge Staff Service fica em Toyota desde 1978, atende Toyota e as cidades vizinhas, e no escritório o Ishibashi fala português — 0565-34-0707, dias úteis das 10h às 17h; o LINE recebe mensagem a qualquer hora (a resposta em português sai no horário do escritório).
Quem já passou por Hirabari sabe de coisas que não estão escritas em papel nenhum. Escreve nos comentários o que te pegou de surpresa lá — isso poupa um dia de trabalho de alguém.
E me conta uma coisa: você tirou sua carteira japonesa por conversão ou fez escola de condução? Em que ano foi?
- #brasileirosnojapao
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