Os quatro adicionais que a lei manda pagar — e como eles aparecem no holerite

400 ienes. É quanto a lei manda somar em CADA hora trabalhada entre as 22h e as 5h, para quem tem jikyu (valor da hora) de 1.600. Seis horas dessas por noite, quinze noites no mês, dão 36.000 ienes. E no holerite (contracheque) esse dinheiro quase nunca aparece com nome próprio.
400 ienes. É quanto a lei manda somar em CADA hora trabalhada entre as 22h e as 5h, para quem tem jikyu (valor da hora) de 1.600.
Seis horas dessas por noite, quinze noites no mês, dão 36.000 ienes. E no holerite (contracheque) esse dinheiro quase nunca aparece com nome próprio.
Existem quatro adicionais. Só quatro.
O nome disso em japonês é wari-mashi. São quatro situações em que a lei manda pagar a hora mais cara:
• Hora que passa de 8 no dia (ou de 40 na semana): +25%
• Hora entre 22h e 5h, a madrugada: +25%
• Hora trabalhada no houtei kyujitsu, o descanso obrigatório da semana: +35%
• Hora extra que passa de 60 dentro do mesmo mês: +50%
Não tem um quinto. Não tem porcentagem diferente por empresa, não tem porcentagem diferente por genba. É a mesma lei em Toyota, em Miyoshi, em Kariya, em qualquer lugar do Japão, e vale igual para haken, para seishain e para arubaito.
Por que madrugada + hora extra dá 150%, e não 50%
Essa é a parte que mais confunde, e é onde a conta costuma escapar.
Os 100% são a hora em si — o trabalho que você fez. Os adicionais vêm POR CIMA disso.
Então, com jikyu de 1.600:
• Hora normal: 100% = 1.600
• Hora extra (depois das 8): 125% = 1.600 + 400 = 2.000
• Hora de madrugada dentro da jornada normal: 125% = 2.000
• Hora que é extra E de madrugada: 100 + 25 + 25 = 150% = 1.600 + 400 + 400 = 2.400
• Hora no houtei kyujitsu: 135% = 1.600 + 560 = 2.160
• Hora no houtei kyujitsu e de madrugada: 135 + 25 = 160% = 2.560
• Hora extra depois das 60 do mês: 150% = 2.400
• Hora depois das 60 do mês E de madrugada: 175% = 2.800
Os adicionais se somam quando as situações acontecem ao mesmo tempo. Uma hora não "escolhe" um adicional só.
Troque o 1.600 pelo seu número e a conta é a mesma. Quem ganha 1.400: 25% disso é 350, então a hora extra é 1.750 e a extra de madrugada é 2.100. Quem ganha 1.800: 25% é 450, hora extra 2.250, extra de madrugada 2.700.
Aliás, o mínimo em Aichi hoje é 1.140 por hora, desde 18 de outubro de 2025, e está previsto passar para 1.195 em 1º de outubro de 2026. Se o adicional foi calculado sobre alguma coisa abaixo do mínimo, já começou errado.
Uma noite de yakin, hora por hora
Turno das 20h às 5h, com 1 hora de intervalo no meio da madrugada. São 8 horas trabalhadas — ou seja, nenhuma hora extra.
Muita gente para aí e pensa que não tem adicional nenhum. Tem.
A janela da madrugada vai das 22h às 5h, ou seja, 7 horas. Menos a 1 hora de intervalo, que caiu dentro dessa janela: sobram 6 horas com adicional de madrugada.
• 8 horas × 1.600 = 12.800
• 6 horas × 400 (os 25% de madrugada) = 2.400
• Total da noite: 15.200
Se o mês teve 15 noites dessas: 2.400 × 15 = 36.000 ienes só de adicional de madrugada. É o número do começo deste texto.
Repare numa coisa: o intervalo não é pago e não conta para o adicional. Mas isso só vale se o intervalo aconteceu de verdade. Intervalo que fica no papel e não acontece no genba é uma conversa diferente.
Um dia de nikkin com zangyou até tarde
Turno das 8h às 17h, 1 hora de intervalo = 8 horas. Depois, zangyou das 17h às 23h = 6 horas extras.
Dessas 6 horas extras, 5 são só extras (17h-22h) e 1 é extra E de madrugada (22h-23h).
• 5 × 2.000 = 10.000
• 1 × 2.400 = 2.400
• Total do zangyou daquele dia: 12.400
Se a empresa tivesse pago tudo a 2.000, faltariam 400 ienes daquele dia. Parece pouco. Multiplique por três dias por semana, doze meses.
As 60 horas do mês
Se as horas extras do mês passarem de 60, a partir da hora 61 o adicional dobra: vira 50%.
Um mês com 70 horas extras, jikyu 1.600:
• As primeiras 60 horas: 60 × 2.000 = 120.000
• As 10 horas seguintes: 10 × 2.400 = 24.000
A diferença entre calcular certo e calcular tudo a 25% é 400 × 10 = 4.000 ienes naquele mês. E isso vale para empresa de qualquer tamanho.
Um detalhe que escapa quase sempre: as horas trabalhadas no houtei kyujitsu NÃO entram nessa soma de 60. Elas já têm o adicional próprio de 35% e ficam fora da conta. Já o trabalho no outro dia de folga da semana, o shotei kyujitsu, entra normalmente na soma. Ou seja, dois domingos trabalhados podem pesar de forma diferente aqui também.
O outro detalhe é saber quando o mês começa. Tem empresa que fecha no dia 20, tem quem feche no último dia. As 60 horas são contadas dentro do período de fechamento, não dentro do calendário.
O que é houtei kyujitsu, e por que nem todo domingo é 35%
A lei exige um dia de descanso por semana (ou quatro dias em quatro semanas). Esse é o houtei kyujitsu. Trabalhar nele é +35%.
Os outros dias de folga — o sábado de quem tem dois dias de folga, por exemplo — não são houtei kyujitsu. Trabalhar neles normalmente entra como hora que passa de 40 na semana, ou seja, +25%.
Por isso duas folgas trabalhadas no mesmo mês podem aparecer com porcentagens diferentes no holerite, sem que ninguém tenha errado.
O holerite pode mostrar isso de dois jeitos diferentes
Aqui está o motivo de tanta gente achar que está faltando dinheiro quando não está — e de tanta gente achar que está certo quando está faltando.
Jeito 1: a linha do salário-base conta só as horas normais, e existe uma linha de zangyou com o valor cheio (2.000 por hora).
Jeito 2: a linha do salário-base conta TODAS as horas trabalhadas a 1.600, inclusive as extras, e existe uma linha separada só com a parte do adicional (400 por hora).
Os dois jeitos chegam no mesmo total. O problema é quando o holerite usa o Jeito 2 mas a segunda linha não existe, ou existe com um valor que não corresponde a nenhuma quantidade de horas.
Por isso a conferência não começa pelo valor. Começa pelo número de horas: quantas horas normais, quantas extras, quantas de madrugada, quantas de folga. Muitas empresas imprimem esses quatro números no holerite. Quando eles não aparecem ali, ninguém — nem você, nem o tantousha olhando por cima — consegue verificar o valor sem ir buscar o registro. E o registro existe: mais abaixo eu explico onde.
Os minutos
Existe uma regra sobre arredondamento que quase ninguém conhece.
Cortar minutos todo dia não pode. Aquela ideia de "trabalhou 17 minutos a mais, arredonda para zero; só conta de 15 em 15 minutos" não é permitida pela lei. O tempo de cada dia tem que ser somado como aconteceu.
O que a lei permite é arredondar UMA vez, no total do mês: se sobrar menos de 30 minutos no fim, pode arredondar para baixo; se sobrar 30 minutos ou mais, arredonda para cima.
Vinte minutos cortados por dia, vinte dias no mês, dão 6 horas e 40 minutos. A 2.000 por hora, são mais de 13.000 ienes.
Onde a conta costuma não fechar
Na prática, quase sempre é uma destas três coisas:
- O valor-hora usado na base do adicional é menor que o jikyu do contrato. A lei define o que pode e o que não pode ser tirado dessa base, e nem todo adicional pode ser tirado. Se o número da base não bate com o contrato, é uma pergunta legítima para o tantousha.
- As horas de madrugada não aparecem em lugar nenhum, mesmo com o turno começando às 20h ou às 22h.
- O mês passou de 60 horas extras e tudo foi pago à mesma porcentagem.
No vestiário, depois do turno da noite, essa conversa aparece com frequência. Uma vez foi um homem que faz yakin há dez anos: ele tinha certeza de que o adicional dele veio menor que o do colega do lado, e ninguém ali sabia dizer se era diferença de horas, de turno ou erro de cálculo. Na maioria das vezes é diferença de horas. Mas ninguém consegue saber sem os quatro números.
Se a conta não fechar
Comece pedindo ao tantousha que explique quais horas entraram em cada linha.
E existe uma base concreta para esse pedido, que quase ninguém conhece: a lei obriga a empresa a manter um chingin daichou, o livro de salários que fica guardado com ela, e nesse livro têm que estar registrados, pessoa por pessoa e mês a mês, os dias trabalhados, as horas trabalhadas, as horas extras, as horas de madrugada e as horas de folga. Esses quatro números existem em algum lugar, mesmo quando não aparecem no seu holerite. Se você perguntar, a empresa tem como responder.
Se a resposta não vier, ou não fizer sentido:
• Linha de Consulta sobre Condições de Trabalho (Roudou Jouken Soudan Hotline, do Ministério do Trabalho, gratuita): 0120-531-403. Atende em português. Dias úteis das 17h às 22h, sábados e feriados das 9h às 21h (no domingo o português não atende). Repare no horário: ela começa quando os outros balcões já fecharam.
• Delegacia do Trabalho de Toyota (Toyota Roudou Kijun Kantokusho): 0565-35-2323, dias úteis das 8h30 às 17h15.
Sobre a base do cálculo e sobre o que acontece com esse dinheiro depois dos descontos, tem dois textos no nosso site, em português:
b-staff.jp/pt/guide/haken-tedori →
b-staff.jp/pt/guide/kotai-teate →
A Bridge Staff Service fica em Toyota desde 1978, atende Toyota e as cidades vizinhas, e no escritório o Ishibashi fala português — 0565-34-0707, dias úteis das 10h às 17h; o LINE recebe mensagem a qualquer hora.
Se você já conferiu o seu holerite e a conta bateu, comenta isso também. Saber que bateu é informação tão útil quanto o contrário, e quem está com medo de olhar precisa ler as duas coisas.
E no seu caso: quantas noites de yakin você faz por mês, mais ou menos?
- #brasileirosnojapao
- #Toyota
- #Aichi
- #holerite
- #yakin
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